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26.12.2013 - Falta de dinamismo econômico afeta o mercado de trabalho na América Latina e Caribe

A OIT informou que o desemprego registra uma taxa mínima histórica de 6,3% na América Latina e Caribe em 2013, ainda que a situação laboral seja “preocupante” porque a falta de dinamismo econômico causou impactos no mercado de trabalho.

O progresso que havia sido registrado nos mercados de trabalho da região durante a última década parece haver-se estancado e, portanto, é necessário redobrar os esforços para evitar que haja retrocessos, destaca a OIT em seu relatório anual Panorama Laboral 2013.
“A situação do mercado de trabalho não é negativa, mas é preocupante”, disse a Diretora Regional da OIT para a América Latina e Caribe, Elizabeth Tinoco, durante a apresentação do relatório na capital peruana. “A região corre o risco de perder a oportunidade de avançar na geração de mais e melhores empregos”.

“Os salários crescem menos que nos anos anteriores, a informalidade não se reduz, a produtividade está aumentando abaixo da média mundial e aumentou a desocupação dos jovens nas zonas urbanas”, ressaltou Tinoco.

O Panorama Laboral deste ano diz que a taxa média de desemprego urbano para a região registrou uma nova queda, de 6,4% para 6,3%, em um contexto de desaceleração do crescimento econômico. Se a situação das taxas de crescimento se estender até 2014, quando segundo as previsões poderia chegar a 3,1% ou 3,2%, o desemprego seria mantido em 6,3% no próximo ano.

A leve queda da taxa de desemprego urbano não ocorreu por um aumento na taxa de ocupação, que permaneceu igual à do ano passado, em 55,7%, mas foi impulsionada por uma ligeira queda na taxa de participação no mercado laboral de 59,6% a 59,5%. Tinoco destacou que “o desemprego baixo é sempre uma boa notícia”. A taxa de 2013 é a mais baixa registrada desde que a OIT começou a publicar este relatório há 20 anos e está muito abaixo dos 11,2% alcançado em 2003. No entanto, acrescentou, é necessário continuar buscando oportunidades, pois por trás da baixa taxa percentual de 2013 existem pessoas, neste caso 14,8 milhões de mulheres e homens que procuram emprego sem conseguir. Além disso, o relatório adverte que se a região pretende manter a taxa de desemprego abaixo de 7% deverá criar pelo menos 43,5 milhões de novos postos de trabalho até 2023.

O Panorama Laboral 2013 destaca também que embora o desemprego tenha caído, ainda é necessário melhorar a qualidade dos empregos. Existem pelo menos 130 milhões de pessoas que estão ocupadas, mas trabalham em condições de informalidade.

A taxa de informalidade não agrícola não caiu e se mantém em 47,7%. Para cair 5 pontos percentuais, para 42,8%, a região deveria crescer em média 3,4% durante a próxima década e 84% dos novos empregos a serem criados deveriam ser formais. Com relação aos salários, destaca-se que caiu o crescimento que havia ocorrido no ano anterior. A média dos salários aumentou 1% no terceiro trimestre de 2013, abaixo dos 2,6% do ano passado. O salário mínimo aumentou 2,6% em 2013, abaixo dos 6,9% de 2012, de acordo com os dados disponíveis no terceiro trimestre.

O Relatório também assinala que existem pelo menos 6,6 milhões de jovens desempregados. A taxa de desemprego juvenil nas zonas urbanas teve uma leva alta na média regional, ao passar de 14,2% para 14,5%. “As difíceis condições de trabalho dos jovens devem ser enfrentadas com políticas que estejam dirigidas especificamente a produzir mais e melhores empregos e que lhes permitam aspirar um futuro digno”, disse a Diretora Regional da OIT.

Também se destaca que a taxa de participação das mulheres aumentou levemente e pela primeira vez alcançou 50% na média regional. No entanto, ainda há muito por fazer em matéria de igualdade de gênero, pois ainda existe desvantagem em relação aos homens, cuja taxa de participação é de 71,1%.

Mais da metade dos desempregados na região são mulheres, 7,7 milhões em comparação com 7,1 milhões de homens. “A situação laboral é desafiante. É necessário redobrar os esforços para melhorar a quantidade e a qualidade dos empregos. O emprego é um componente fundamental do crescimento, pois fortalece o mercado interno e cria um ambiente propício para o desenvolvimento produtivo”, disse Tinoco. Afirmou que é necessário aplicar estratégias que respondam às necessidades e especificidades de cada país.

Entre outras medidas, a OIT recomenda:

  • Gerar um ambiente propício para o desenvolvimento de empresas sustentáveis que produzam emprego formal
  • Reforçar a institucionalidade laboral e o diálogo social
  • Planejar e aplicar de maneira oportuna políticas ativas do mercado de trabalho
  • Melhorar a educação e a formação para o trabalho
  • Promover a formalização tanto das empresas como das relações laborais
  • Aplicar políticas orientadas a aumentar a produtividade

“Não podemos esquecer que o emprego constitui uma ferramenta especial para a redistribuição da riqueza e da inclusão social, para a luta contra a pobreza e a desigualdade”, afirmou a Diretora Regional da OIT.



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