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07.04.2017 - Greve Geral na Argentina fortalece luta dos trabalhadores e é exemplo para o Brasil

A grande adesão à Greve Geral na Argentina nesta quinta-feira (6) foi motivada pela luta contra medidas neoliberais do presidente Mauricio Macri. Com inicio à meia noite, trabalhadores e trabalhadoras paralisaram o país por 24 horas e prometeram que seguirão mobilizados, caso o governo não ouça as vozes das ruas. As centrais sindicais afirmaram que irão continuar na luta e apoiam a Greve Geral no Brasil marcada para o próximo dia 28.

A Argentina amanheceu sem ônibus, com tráfego reduzido de caminhões, vôos nacionais e internacionais cancelados e com o povo nas ruas contra a política do atual governo conservador, que retira direitos dos trabalhadores.

As iniciativas do presidente Macri buscam o rebaixamento de salários, passam pela piora da distribuição de renda e impedem os sindicatos de fazer negociações coletivas. No último ano, o desemprego aumentou, os trabalhadores perderam em média 15% do poder de compra do seu salário e viveram um forte processo inflacionário, incrementado pelo aumento dos impostos e das taxas como eletricidade, telefone, transporte e a intensidade da crise no setor produtivo, que está se acelerando cada vez mais.

 

 

A unidade das centrais sindicais – CTA (Central dos Trabalhadores da Argentina), CGT (Confederação Geral do Trabalho), CTAA (Central de Trabalhadores da Argentina Autônoma) e setores do movimento sindical e populares – permitiu a construção de uma pauta que reivindica a reabertura da negociação coletiva nacional dos professores, a implementação de uma lei que impeça demissões massivas nos setores públicos e privados, o aumento imediato de rendimento de salário para os setores menos favorecidos, como os aposentados e para os desempregados, que ficam desprotegidos da obra social.

Os trabalhadores e trabalhadoras também exigem políticas que apoiem pequenas e médias empresas, para que elas possam continuar produzindo e que se estanque os processos de fechamento de empresas gerando desemprego e aumento da recessão.

“Pedimos que mude o rumo econômico do governo Macri e exigimos o fim dessa política, um plano de ajuda para os setores que estão passando fome, reativação das políticas públicas que foram cortadas e faremos uma consulta ao povo para um plano de lutas racional e coerente que implique as pressões das lutas populares no dia e a dia”, explicou o diretor de Relações Internacionais da CTA, Andrés Larisgoitia.

 

 

Barrar o descaminho neoliberal

Para o secretário de Relações Internacionais da CUT, Antonio Lisboa, a gigantesca reação ao desgoverno Macri e sua política de arrocho, aumento de tarifas públicas e desemprego em massa, “demonstra a decisão do povo argentino de barrar o descaminho neoliberal”.

Lisboa destaca que classe trabalhadora só tem uma saída, que é ir pra rua fazer luta.  “Os trabalhadores argentinos estão dando esse exemplo de luta na região”, complementou.

O secretário-adjunto de Relações Internacionais da CUT, Ariovaldo de Camargo, disse que com essas medidas Macri só responde ao capital e à elite do país. “Em oposição à articulação do capital, que só favorece as empresas e a superexploração, os trabalhadores argentinos, aliados aos trabalhadores brasileiros, uruguaios, paraguaios e chilenos, apontam para a integração como caminho da verdadeira independência. A greve geral demonstra a disposição de luta do povo argentino para virar a página de atropelos aos direitos”.

 

 

Para o presidente da Confederação Sindical Internacional (CSI), João Antonio Felício, é admirável a combatividade do povo argentino no enfrentamento das políticas de austeridade fiscal e arrocho salarial do governo Macri. “A classe trabalhadora argentina demonstrou mais uma vez que é só por meio da mobilização social e da greve que se impõem derrotas a governos entreguistas. A garra e a determinação dos companheiros servem de exemplo e estímulo a seguirmos em frente para derrotar o retrocesso neoliberal”.

Segundo Andrés, muita gente pergunta quais serão os próximos passos depois da greve. “Houve um acatamento em torno de 95% da greve hoje e, se esse governo não compreender e não souber escutar a voz dos trabalhadores e trabalhadoras, o povo argentino continuará ocupando as ruas, fazendo manifestações de forma pacífica e democrática. A intenção não é tirar nenhum governo porque nós respeitamos o resultado nas urnas das eleições, mas não podemos aceitar um governo que faça essa política contra o trabalhador”.

Para o diretor da CTA, a central se solidariza com o que o Brasil vive porque, além das medidas neoliberais, o governo Temer é ilegítimo. Ele também disse que participará da greve geral brasileira no dia 28. “Queremos construir em conjunto um plano de ação de resistência a essa política neoliberal que atinge nossa região”, complementa.

Conforme Lisboa, essa mobilização está sendo exemplar. “Com essa mobilização, combativa e unitária, a construção da nossa greve geral no próximo dia 28 de abril se vê agora ainda mais fortalecida para barrarmos as reformas da Previdência e Trabalhista e derrotar Temer e sua política”. http://cutrs.org.br/greve-geral-na-argentina-fortalece-luta-dos-trabalhadores-e-e-exemplo-para-o-brasil/

 

 

 



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