RADIODIFUSÃO ESTUDA LEVAR TV ABERTA A CELULARES EM ECOSSISTEMA GLOBAL.

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RADIODIFUSÃO ESTUDA LEVAR TV ABERTA A CELULARES EM ECOSSISTEMA GLOBAL.

A expansão do DTV+, o padrão da TV 3.0, para os smartphones foi tema de um painel na SET Expo 2025, onde se debateu os caminhos e os obstáculos para levar a experiência da TV aberta a um ambiente onde ela não participa como um serviço nativo. A conclusão é que, embora existam tecnologias viáveis que utilizam a própria infraestrutura de radiodifusão, o sucesso da iniciativa depende da inserção do Brasil em um ecossistema de padronização global e, principalmente, da adesão dos fabricantes de celulares.

Ana Eliza Faria e Silva, gerente sênior do Regulatório de Tecnologia da Globo, destacou que o desafio é criar uma “oferta simples, essa oferta fácil, integrada, que coloca a TV aberta de uma forma com proeminência” em um ambiente dominado por aplicativos e plataformas de streaming. Segundo ela, a principal barreira são “os gatekeepers, que são os celulares”, ou seja, os fabricantes que controlam o hardware e o software dos aparelhos.

Como solução técnica para essa distribuição, Thiago Nakagawa, head de transmissão e mídia da Rohde & Schwarz, apresentou o 5G Broadcast. Ele explicou que, apesar do nome, a tecnologia é um padrão de rádio que opera de forma independente das redes de telefonia celular, utilizando a infraestrutura “high power, high tower” (alta potência, torre alta) já existente das emissoras de TV.

A recepção do sinal se daria de forma gratuita, sem a necessidade de um SIM card ou de um plano de dados, com o acesso ocorrendo diretamente no modem do aparelho. O padrão, desenvolvido pela entidade global 3GPP, já contempla em suas especificações a “banda 108”, que corresponde à faixa de UHF utilizada pela TV aberta no Brasil, o que viabilizaria tecnicamente a implementação.

O esforço para viabilizar a TV no celular é mundial, com mais de 48 testes e provas de conceito ativas em 27 países. Um exemplo prático ocorreu na França, onde a empresa de infraestrutura TDF instalou um transmissor na Torre Eiffel e distribuiu 250 aparelhos Xiaomi para testes durante a Olimpíada de 2024.

No entanto, o obstáculo da adesão dos fabricantes permanece. “É um ponto, eu diria que crucial nesse ecossistema de ambas as tecnologias. Porque se a gente não conseguir convencer os fabricantes a adotarem essa tecnologia, a gente não vai ter uma escalabilidade”, afirmou Nakagawa. Para superar esse impasse, descrito como um problema do “ovo e da galinha”, grandes radiodifusores europeus criaram a 5G-MAG Task Force. A iniciativa busca apresentar um roadmap de implementação concreto e demonstrar a existência de um mercado unificado para motivar a indústria de dispositivos móveis a incorporar a tecnologia em seus produtos.

A conclusão do painel é que a jornada para levar a TV 3.0 ao celular é um desafio mais estratégico do que técnico, que exige a participação ativa do Brasil em fóruns de padronização internacional para garantir que a televisão aberta continue acessível e relevante onde quer que o espectador esteja.

fonte: telaviva.com.br