As denúncias de racismo encaminhadas à SaferNet Brasil, entidade que atua no combate de crimes contra os direitos humanos na internet, cresceram 81% na comparação entre o primeiro semestre de 2013 e o mesmo período deste ano. Os dados, obtidos com exclusividade pelo R7, revelam que de janeiro a junho do ano passado, foram feitos 32.533 registros desse tipo de violação, enquanto em período equivalente de 2014, o número saltou para 59.083.
O levantamento da ONG (organização não governamental), que tem acordos de cooperação com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, mostrou também um detalhe interessante: embora neste ano haja mais denúncias, a quantidade de páginas (URLs) envolvidas foi menor: 5.732. Já em 2013, foram 7.953 sites.
De acordo com o presidente da SaferNet, Thiago Tavares, a conclusão é de que, em 2014, houve um volume superior de denúncias em relação a uma mesma página, o que sinaliza menor tolerância da sociedade aos conteúdos racistas na web.
— As denúncias duplicadas, que são um indicador importante, representam um termômetro da indignação das pessoas. É ainda um termômetro da repercussão que essas páginas com conteúdo racista têm causado na sociedade. Indica que mais pessoas resolveram denunciar.
Tavares enfatiza que o tema esteve em pauta, especialmente em abril deste ano, com o episódio envolvendo o lateral-direito do Barcelona Daniel Alves. Em partida contra o Villareal, quando seguia para bater um escanteio, uma banana foi atirada na direção do atleta, que descascou a fruta e a comeu, prosseguindo com a partida. O caso provocou grande repercussão e, consequentemente, mais pessoas se mobilizaram em torno do assunto.
A integrante do Núcleo de Pesquisas em Psicologia e Informática da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica) Luciana Ruffo faz análise semelhante. Ela cita o caso envolvendo o goleiro Aranha, chamado de macaco durante jogo entre Santos e Grêmio, no Rio Grande do Sul, no mês passado.
— Isso traz uma evidência para a situação, que faz com que as pessoas que sofrem esse tipo de agressão se sintam muito mais empoderadas para procurar ajuda ou denunciar. É como se alguém desse voz a elas. Fonte: R7