A seguir reproduzimos boletim informativo do Sindicato dos Radialistas do RJ. Lá, as coisas também não andam fáceis e além de tudo, existe a cláusula do Banco de Horas. Nossa entidade, em momento algum aceita que esse tipo de cláusula integre a sua convenção. Mas veja o que está se passando com os cariocas, lendo o material reproduzido, na íntegra:
Com o claro objetivo de travar as negociações, na tentativa de quebrar a resistência dos trabalhadores e empurrar goela abaixo um acordo que pouco ou nada acrescenta em ganho para a categoria, a bancada patronal voltou a recusar a contraproposta apresentada na semana passada pelo Sindicato dos Radialistas/RJ, que flexibilizava em vários pontos – inclusive na questão do reajuste salarial (7,5%) e na cláusula da compensação das horas extras. Porém, mesmo depois do avanço alcançado na rodada anterior, quando vários itens da pauta foram aceitos por ambas as partes, o patronato retomou sua antiga prática de apostar no impasse para jogar sobre os ombros dos representantes dos trabalhadores a responsabilidade pela demora no fechamento do acordo.
Na 9ª rodada de negociação para a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) 2013/2014, realizada na terça-feira (19 de novembro), a representação patronal comunicou que as empresas recusaram a proposta enviada pelo sindicato profissional em 14 de novembro, apresentando em substituição uma contraproposta que, na prática, nada acrescentou à anterior que já havia sido rejeitada pelos radialistas.
Ganho real e piso único para o interior
Apesar dos altos lucros registrados em seus balanços financeiros, os patrões continuam irredutíveis na proposta de 5,7% de reajuste salarial, que corresponde apenas ao índice de inflação no período. O sindicato profissional insiste, porém, na obtenção de um ganho real, por entender que as perdas acumuladas nos últimos anos corroeram o poder de compra dos salários da categoria e que a atual realidade econômica das empresas permite, pelo menos em parte, a reposição dessas perdas históricas.
Outra questão na qual a intransigência absoluta do patronato dificulta a chegada de um consenso é no que se refere aos valores do piso normativo para os radialistas do interior do estado. A proposta dos trabalhadores rejeitada pelas empresas reivindicava piso único para o interior de R$ 935,00, muito próximo ao que os patrões já haviam concordado em dar somente para os profissionais de TV (R$ 934,00), na contraproposta apresentada na 7ª rodada. Insensível, o patronato continua tentando nos convencer que as emissoras de rádio sediadas fora da capital “quebrariam” com R$ 95,00 a mais no valor do piso, que é a diferença entre o que eles oferecem (R$ 840,00) e o que nós propusemos.
E tem ainda a importante luta na questão da compensação das horas extras. Apesar de ter flexibilizado em muito a pauta original, aceitando até a inclusão da cláusula do banco de horas, como forma de demonstrar boa vontade na negociação, o Sindicato dos Radialistas não concorda com a possibilidade de as empresas compensarem os feriados, em prejuízo dos trabalhadores em suas folgas.
A luta por avanços continua!
Não satisfeitos em ignorar todo o esforço dos radialistas para levar as negociações a um bom termo, os patrões ainda resolveram propositalmente atrapalhar o andamento do processo, retrocedendo em uma cláusula para a qual já havia acordo: a da Participação nos Resultados. A nova redação proposta pelas empresas reduz de 30 para 10 dias por ano o limite de faltas sem justificativa que o empregado pode ter para fazer jus ao recebimento do benefício. Ao rejeitar, mais uma vez, a contraproposta patronal, a bancada dos trabalhadores disse em tom bastante firme que para haver acordo a categoria precisa de maiores avanços nas cláusulas econômicas e sociais. E para que as negociações não caiam no impasse, apresentará ainda esta semana uma nova proposta para análise do sindicato patronal, esperando que na próxima reunião – marcada para hoje (26).