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08.01.2014 - Renda familiar sobe e jovem adia a procura por trabalho

Um menor número de brasileiros decidiu ingressar no mercado de trabalho em 2013. De janeiro a novembro, a cada cem novas pessoas em idade ativa nas seis maiores regiões metropolitanas do país, apenas 40 decidiram procurar emprego - metade do registrado em 2012. Essa nova realidade do mercado de trabalho é a principal explicação para a manutenção da taxa de desemprego nas mínimas históricas, apesar do baixo crescimento da economia.

Os jovens são apontados por boa parte dos economistas como os principais responsáveis pelo aumento abaixo do esperado da População Economicamente Ativa (PEA). Com a expansão real da renda familiar nos últimos anos, esses jovens podem adiar a busca pelo primeiro emprego ou têm voltado a estudar, já que contam com o apoio financeiro da família.

Pesquisa recente do IBGE reforça essa tese com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2012. De acordo com o levantamento, entre 2002 e 2012 a proporção de jovens entre 15 e 17 anos que trabalhavam e estudavam caiu de 23,1% para 18,8%, enquanto a dos que apenas estudavam cresceu de 58,4% para 65,4%.

No mesmo período, o percentual de jovens entre 25 e 34 anos que ainda viviam com os pais subiu de 20,5% para 24,3%. O crescimento da chamada "geração canguru", pode também estar ligado à maior dedicação aos estudos. O grupo possui em média 10,8 anos de escolaridade, contra 9,6 anos entre o total dos jovens.

A pesquisa também aponta outra possível razão para o avanço "preguiçoso" da PEA. Do total de jovens entre 15 e 29 anos, 19,6% não estudavam nem trabalhavam. As mulheres formavam 70,3% desse grupo - destas, 58,4% têm ao menos um filho. "Não apenas os jovens, mas também as mulheres têm saído do mercado para cuidar dos filhos. Esse movimento também é derivado do aumento da renda das famílias", avalia Flavio Serrano, do BES Investimento.

O comportamento atípico da PEA é tema de um estudo ainda não concluído de Miguel Pinho Bruno, professor da Escola Nacional de Ciências Estatísticas, do IBGE, que defende que a dinâmica é influenciada também por medidas do governo para estimular a formação educacional e profissional, como a concessão de bolsas de estudo. (Fonte: Valor Econômico)



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